Todos nós temos livros que nos marcaram, nem que seja pelo facto de só percebermos uma linha depois de a termos relido várias vezes ("A Metafísca do Costumes" de Kant, por exemplo, para os que tiveram de se aventurar, lol). Até que ponto é que um livro nos pode marcar e de que livros é que nos lembraremos sempre como os melhores que já nos passaram pelos olhos e mente?
Para os que não morrem de amores pela leitura, mas que por gozo até gostam de tirar um livrito da cabeceira de vez em quando, talvez até nem seja difícil eleger um livro marcante. A história já é outra para os que adoram ter sempre um livro entre mãos, lê-lo de fio a pavio, o mais depressa possível, e que sentem que desperdiçam tempo quando não lêm nada. Eu cá revejo-me no segundo tipo de leitores, embora face ao último mês só me identifique com a última característica... Será que quem lia compulsivamente e agora não o faça nunca mais lerá da mesma da mesma forma? Ou existirão fases na vida de leitor?
Seja como for, estava eu a dizer que não existe o livro da minha vida. Não existe agora, que ela ainda é curtinha, mas também não me parece que existirá daqui a umas dezenas de anos. Isto porque não sou capaz, nem quero, seleccionar apenas um como O Livro. Tenho vários que são memoráveis pelas melhores das razões, tendo cada um deles sido inspirador em alturas diferentes. São livros que fechei com vontade de os reler.
Depois das histórias de fadas, princesas e seres mágicos ,um dos primeiros livros que realmente me inspirou foi "A História Interminável", de Michael Ende, pela forma incontrolável como dava asas à imaginação. Pouco depois fiquei perturbadoramente marcada por "A Lua de Joana", de Maria Teresa Gonzalez (foi o livro que reli mais vezes até hoje!) e também pelo "Diário de Anne Frank", que foi o primeiro a alertar-me para o nazismo. "O Mundo de Sofia", de Jostein Gaardner, numa altura em que estava fascinada pela filisofia e, dos últimos anos para cá, "Cem anos de solidão", de Gabriel Garcia Marquez, todos os romances da Isabel Allende - desde "A Casa dos Espíritos", a "Contos de Eva Luna","A Filha da Fortuna"... - e, finalmente, "O estranho submundo de Garp",da autoria de John Irving.
O tipo de livro que hoje me fascina é o que conta uma históra sobre a vida, recheada de pessoas, pormenores e perspectivas diferentes dela. Nos últimos dois anos não acrescentei nenhum livro a esta lista mental e pessoal,não sei se será bom ou mau sinal, mas provavelmente sou eu que não tenho procurado tanto e não os livros bons que tenham escasseado! Gostei muito do "Equador", do Miguel Sousa Tavares mas talvez não o suficiente para um lugar de honra aqui!
Aqui fica a partilha dos livros que mais me disseram. Quem sabe, pode ser que algum deles também seja,ou que venha a ser, de eleição de mais alguém! Ou que algum que tenha sido marcante para quem me lê o seja também para mim... Vá lá, dêem-me títulos e escritores marcantes!!